[ARTETERAPIA] Processos da Pintura Emocional ✨
INTRODUÇÃO - O que é e quais são os benefícios?
A arte como processo terapêutico é diferente da arte enquanto técnica de ilustração. Arteterapia é um momento de meditação, onde não existem cobranças - em relação, por exemplo, à técnica, mensagem, mercado, etc. É a criação de uma zona mental meditativa, onde você pode se deixar vulnerável para colocar seus sentimentos no papel. Seu principal intuito é proporcionar bem estar por meio da expressão e dos sentimentos que as obras transmitem.
O trabalho com as emoções através da arteterapia melhora, inclusive, a qualidade das relações. Ele se centra no fator emocional, nos ajudando a sermos mais conscientes de aspectos obscuros, e facilitando deste modo o desenvolvimento da pessoa. As emoções básicas, como o medo, a raiva, a alegria, o amor, a tristeza e os sentimentos incômodos, são essenciais e necessários para o equilíbrio emocional de todas as pessoas. Por meio dela é possível amenizar os impactos provocados por traumas e a tensão do dia a dia. É uma alternativa saudável e eficiente quando o assunto é saúde e bem estar, ainda mais nos tempos caóticos em que vivemos.
Os benefícios dessa prática são: estímulo da criatividade, potencialização da confiança, além de beneficiar a concentração.
ATENÇÃO: Arteterapia NÃO É uma terapia, é apenas uma ferramenta terapêutica. Lembre-se sempre de procurar profissionais da área da psicologia e psiquiatria quando necessário. Quando nos expressamos por meio de algum meio artístico - seja dança, pintura, escrita - naturalmente colocamos nossos sentimentos para fora de nosso espaço mental, o que realmente nos causa um alívio momentâneo. Entretanto, para que essa expressividade seja transformada em uma terapia efetiva, é necessário um profissional auxiliando-a e analisando-a para realmente chegar à psique do paciente e consequentemente ao seu tratamento. FAÇA TERAPIA!
O exercício escolhido: Emotion Painting (Pintura Emocional)
O Emotion Painting, ou Pintura Emocional, é um exercício terapêutico onde deixamos nossas emoções passarem livremente por nossa mente e serem colocadas no papel. Não é necessário ter uma narrativa, um rascunho, uma mensagem pré-definida, apenas deixamos nossa mão seguir livremente pelo papel, colocando nossas emoções e sentimentos para fora.
- Preparação: coloquei uma música instrumental baseada em filmes do Ghibli Studio para tocar de fundo e me permitir meditar sobre o que estava sentindo naquele dia. O dia havia passado de uma maneira melancólica e eu estava precisando me expressar de algum jeito! Após a meditação, organizei minha mesa de arte, fixei a folha na prancheta e separei os materiais que gostaria de usar.
- Materiais: tentei deixar a lista de materiais o mais simples possível, apenas pensando em combinar algumas texturas.
- Finalização: ao término do exercício fiz outra pequena meditação, escrevendo um pouco como estava me sentindo ao finalizá-lo e também as minhas próprias interpretações sobre as cores que escolhi aleatoriamente durante o processo.
A minha experiência.
Por vezes o bloqueio criativo faz artistas - principalmente os neurodiversos - de refém, e por mais que haja a ânsia de criar, ficamos presos em uma espiral de culpa, medo, falta de vontade (misturada com MUITA VONTADE). Nesses momentos, eu sempre me rendo e acabo ficando horas na cama, dormindo ou overthinking. Há algum tempo, descobri sobre a arteterapia e realmente fiquei interessada, mas como quase todo hiperfoco, esse interesse foi jogado na pilha de “coisas para pesquisar depois” e ficou por lá um tempo, criando teias de aranha.
Dessa vez, entretanto, decidi fazer uma pesquisa rápida pelo Youtube sobre exercícios relacionados a esse processo terapêutico - caindo num vídeo do canal Thirsty For Art, especializado em Arteterapia - e logo coloquei a mão na massa, ou melhor, na tinta. Sem pensar demais, apenas comecei.
Confesso que no começo tudo foi meio desajeitado. Fiquei alguns segundos olhando para aquela folha em branco, me sentindo boba por “desperdiçar” materiais para colocar algo que eu nem dominava em prática, mas “you only live once” né? Peguei um pincelzão de bambu e taquei água naquela folha assustadoramente branca, segurei na mão da Deusa e fui.
Eu estava genuinamente triste naquele dia. Tinha, num surto de disforia, cortado todo meu cabelo (que já estava sendo cultivado há quase 3 anos) e não estava me reconhecendo no espelho. Mudanças repentinas sem tem 120% de certeza mexem, com meu cérebro atípico, de uma maneira avassaladora e, verdade seja dita, eu estava MUITO ARREPENDIDA.
Taquei azul na folha. Agora não tem mais volta.
A partir deste momento, resolvi “desligar meu cérebro” - a.k.a tudo o que meus professores de desenham mandam NÃO FAZER enquanto estamos pintando. Deixei minha mão solta e leve, fui pegando as cores aleatoriamente. Azul, roxo, amarelo, rosa… pinta, pinta, pinta.
A folha estava uma bagunça, toda enrugada, cheia de tinta escorrida e não tinha mais nenhum sinal das primeiras pinceladas tímidas. Verde, vermelho e preto também deram sua carinha na obra.
Foram 50 minutos de pura introspecção em aquarela, tomando decisões na hora, sem um propósito além de colocar todos aqueles sentimentos conflitantes para fora. Eu estava feliz por ter mudado de aparência, mas estava triste também. Estava com medo de criar algo “sem sentido”, mas me deliciando com o processo.
Depois de ter feito A SENHORA BAGUNÇA na pobre folha - que não tinha mais nada de branca - concluí que era hora de mudar de textura. As cores estavam “pálidas” demais, eu queria que elas - e, por consequência, meus sentimentos - estivessem visíveis, afinal, era pra isso que eu estava fazendo uma pintura emocional.
Peguei o giz pastel oleoso que eu guardo há mais de 10 anos - foi presente da minha falecida vózinha quando contei para ela que queria ser artista - e comecei a pintar. A textura do giz no papel me dá pequenos arrepios de satisfação - assim como lembrar da minha avó me dá ondas de saudade e amor.
Num primeiro momento, eu marquei onde minha arte começava, passando o azul escuro ao redor da obra caótica, seguindo pelo azul clarinho e as demais cores. Conforme ia caminhando de “fora” para “dentro” do papel, tudo o que eu estava sentindo ia se consolidando em minha cabeça. Os borrões de tinta foram ganhando forma quase como se estivessem animados - na verdade, eu até poderia fazer uma animação sobre as cores surgindo no canvas, representando meus sentimentos, mas aí já tinha técnica demais, e não queremos técnica nesse momento.
Depois do giz, veio meu amado lápis de cor colocando ainda mais textura e misturando um pouco mais as cores, deixando essa ou aquela cor mais forte, mesclando tudo e representando bem como são nossos sentimentos, na minha concepção: uma bagunça de nuances coloridas.
No final do processo, decidi preencher as bordas de preto - decisão que, agora enquanto olho pra arte e escrevo esse artigo, questiono um pouco. Eu estava me sentindo pesada ainda, e queria isolar tudo isso que eu estava sentindo em uma bolha a ser estourada em algum momento de Shadow Work (que eu iria postergar até explodir na minha cara).
Acabei tendo uma crise de ansiedade de madrugada e tive que processar TUDO, NA MARRA, até dormir.
Agora, enquanto olho pra obra, consigo ver mais padrões felizes que tristes e estou grata pela Nina do passado por ter feito esse exercício. Mesmo que eu não esteja fazendo acompanhamento psicológico no momento, sei que quero transformar essa prática da arte enquanto terapia em um hábito. Provavelmente vou organizar uma pasta com as artes e meus textos sobre elas, assim posso levá-las às futuras consultas e fazer um tratamento pautado na Arteterapia.
Não consigo expressar em palavras, apesar de ter tentado bastante nesse ensaio, o quanto esse processo foi libertador e o quanto me sinto mais leve depois de ter externalizado tudo o que pesava em meu peito naquele dia. Me sinto, nesse momento, mais disposta e mais criativa e pretendo continuar escrevendo sobre esse processo de autodescoberta através da arte despretensiosa para que vocês, curiosos da arte, possam acompanhar também.
Espero, do fundo do meu coração, que esse pequeno relato/ensaio/artigo tenha te inspirado a criar!
Biblioteca de Referências
https://www.youtube.com/watch?v=WGLWk9nZTNU&ab_channel=JungnaPrática
https://www.museudaimaginacao.com.br/blog/o-que-e-a-arteterapia
https://www.santacasamaringa.com.br/noticia/334/arteterapia-definicao-e-beneficios


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